"Quando a Ressurreição se transforma em feriado, a cruz vira artefato histórico, o sangue vertido torna-se bizarrice Romana, a morte passa a ser mito, o plano de salvação constitui-se dogma, a fé descamba para o fanatismo, a ceia é “transubstanciada” em ovo de páscoa e, Jesus, creia-me, é substituído sem grandes constrangimentos pelo incomparável coelhinho".
Leonardo Alves
"Chega sempre a hora em que não basta apenas protestar: após a filosofia, a ação é indispensável".
quinta-feira, 21 de abril de 2011
A Ressurreição Transformou-se num Feriado!
"Quando a Ressurreição se transforma em feriado, a cruz vira artefato histórico, o sangue vertido torna-se bizarrice Romana, a morte passa a ser mito, o plano de salvação constitui-se dogma, a fé descamba para o fanatismo, a ceia é “transubstanciada” em ovo de páscoa e, Jesus, creia-me, é substituído sem grandes constrangimentos pelo incomparável coelhinho".
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Você Sabe Quem Caiu?

Renato Vargens
É possível que ao ler a frase na ilustração deste artigo, você tenha sido instigado a saber quem foi a pessoa que caiu em pecado. Na verdade, o fato de desejar ler esta matéria talvez esteja relacionado ao desejo de saber algo que ninguém sabe. Isto porque, à vontade em descobrir os dramas, quedas e dilemas das pessoas através das fofocas é algo inerente há natureza humana.
Segundo um estudo elaborado pela empresa de segurança McAfee os sites de fofoca são mais populares que os pornográficos.
Fofocar é desqualificar a vida alheia. Por favor, pare e pense: O que lhe é acrescentado através da fofoca? Para que falar aos quatro cantos que fulano é murmurador, que beltrano está endividado, que sicrana é invejosa ou que o irmão fulano de tal caiu? Ora, meu amigo, afirmo categoricamente que fofocar além de ser um grande desperdício de tempo, não contribui em nada para nosso bem-estar mental e espiritual, principalmente se o conteúdo da fofoca comprometer a vida pessoal, familiar e profissional da vítima.
Há pouco alguém me procurou com uma grande bomba dizendo: Pr. Renato você já soube da última do meio gospel? Soube quem caiu? Naquele instante fiquei incomodado com o prazer do irmão em espalhar a quantos pudesse a derrota de alguém. O fato em questão me fez lembrar a história das três peneiras:
"Augustus procurou Sócrates e disse-lhe:- Sócrates, preciso contar-lhe algo sobre alguém!
Você não imagina o que me contaram a respeito de...Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:
- Espere um pouco Augustus. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?- Peneiras? Que peneiras?
- Sim. A primeira, Augustus, é a da VERDADE. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?
- Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram!
- Então suas palavras já vazaram a primeira peneira.
Segundo um estudo elaborado pela empresa de segurança McAfee os sites de fofoca são mais populares que os pornográficos.
Fofocar é desqualificar a vida alheia. Por favor, pare e pense: O que lhe é acrescentado através da fofoca? Para que falar aos quatro cantos que fulano é murmurador, que beltrano está endividado, que sicrana é invejosa ou que o irmão fulano de tal caiu? Ora, meu amigo, afirmo categoricamente que fofocar além de ser um grande desperdício de tempo, não contribui em nada para nosso bem-estar mental e espiritual, principalmente se o conteúdo da fofoca comprometer a vida pessoal, familiar e profissional da vítima.
Há pouco alguém me procurou com uma grande bomba dizendo: Pr. Renato você já soube da última do meio gospel? Soube quem caiu? Naquele instante fiquei incomodado com o prazer do irmão em espalhar a quantos pudesse a derrota de alguém. O fato em questão me fez lembrar a história das três peneiras:
"Augustus procurou Sócrates e disse-lhe:- Sócrates, preciso contar-lhe algo sobre alguém!
Você não imagina o que me contaram a respeito de...Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:
- Espere um pouco Augustus. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?- Peneiras? Que peneiras?
- Sim. A primeira, Augustus, é a da VERDADE. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?
- Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram!
- Então suas palavras já vazaram a primeira peneira.
Vamos então para a segunda peneira: a BONDADE.
O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?
- Não, Sócrates! Absolutamente, não!
- Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira.
Vamos agora para a terceira peneira: a NECESSIDADE.
Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa?
- Não, Sócrates.. Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar.
E Sócrates sorrindo concluiu:
- Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz!
Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras porque:
Pessoas sábias falam sobre idéias;
Pessoas comuns falam sobre coisas;
Pessoas medíocres falam sobre pessoas."
E você tem vocação para fofoqueiro?
O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?
- Não, Sócrates! Absolutamente, não!
- Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira.
Vamos agora para a terceira peneira: a NECESSIDADE.
Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa?
- Não, Sócrates.. Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar.
E Sócrates sorrindo concluiu:
- Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz!
Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras porque:
Pessoas sábias falam sobre idéias;
Pessoas comuns falam sobre coisas;
Pessoas medíocres falam sobre pessoas."
E você tem vocação para fofoqueiro?
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Desmascarando a Teologia do barulho Reteté
Pr Elder Sacal Cunha
Gostaria hoje de esclarecer uma pergunta enviada pelo meu amigo e Presbítero Evaldo. Ele nos enviou a seguinte dúvida: “ Por que os crentes barulhentos se consideram pentecostais?”
Para responder essa pergunta, que por sinal é muito pertinente, lanço outra questão: O barulho é a marca de um cristão pentecostal?
Amigos e leitores, atualmente a marca que evidencia um cristão avivado está no estereótipo da pessoa e não mais na alma e no espírito. Por incrível que pareça, o quanto você mais berra, mais grita, mais se “esperneia”, cai no chão, dança no “espírito” (não sei em qual espírito), mais avivado e pentecostal você é!
A Palavra de Deus é tão clara quanto ao avivamento do Senhor. O avivamento não se caracteriza por aberrações, gritos, milagres, mudanças litúrgicas e etc.... Avivamento é muito mais que isso!
O verdadeiro avivamento é provocado pela Palavra de Deus e resulta na mudança de conduta da pessoa avivada. Tudo em sua vida se faz novo, todas as áreas de sua vida são afetadas e tão logo essa pessoa passa a desenvolver os frutos do Espírito. (Gálatas 5.22-23)
Notemos que os frutos do Espírito Santo são: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. (Observe esses dois últimos frutos). Uma pessoa cheia do Espírito é mansa e possui domínio próprio sobre si, ou seja, não age por impulsos, por emoções, menos ainda por sensações e tem seu temperamento controlado pelo Espírito do Senhor.
Interessante essa “Teologia do Barulho” desenvolvida pelos Neopentecostais. Quem nunca ouviu o famoso jargão: “Pentecostal que não faz barulho está com defeito de fabricação”. Não sei qual a finalidade dessa frase, mas uma coisa é certa: Deus é não surdo!
Deus não é surdo e muito pelo contrário a sua Palavra diz que Ele conhece todos os nossos pensamentos, nossos intentos e nosso coração (Salmos 139), sendo assim não haveria necessidade de “berrar” ao ouvido de Deus, pois o Senhor não procura gritos e sim verdadeiros adoradores que é adorem em Espírito e em Verdade (João 4.24)
Uma coisa é certa essa Teologia do Barulho nada mais é que puro misticismo criado por “cristãos” que não conhecem a Deus e tão pouco a sua Palavra. Chamamos de misticismo o conjunto de normas e práticas que tem por objetivo alcançar uma comunhão direta com Deus. O problema é que quase sempre, os místicos são induzidos a prescindir da Bíblia e se basear apenas em suas experiências.
Efetuando uma exegese do derramamento do Espírito Santo em Atos 2, verifica-se uma ordem e que os sons estavam legíveis ao público em geral. Disse o médico e historiador Lucas: “E correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um ouvia falar na sua própria língua”(AT 2.6)
Lucas destaca que ouve entendimento do que os discípulos de Cristo falavam, por parte dos viajantes que estavam em Jerusalém:”Todos os temos ouvido em nossas própria línguas falar das grandezas de Deus”(v.11). O versículo 13 diz que alguns zombaram do acontecimento, alegando que os discípulos estavam bêbados, isso significa que houve um barulho inelegível?
O versículo 13 indica que alguns não entenderam o agir do Espírito Santo, mas isso não significa um barulho rock-roll, verificado em muitas reuniões pentecostais, que mais se assemelham ao Maracanã em dia de clássico do que um genuíno culto cristão.
Paulo nos alerta em 1 Co 14.23:”Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas estranhas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão, porventura que estais loucos?
Paulo demonstra uma preocupação em todo o capítulo 14, que deve haver uma ordem na línguas e profecias no culto, a fim de que todos sejam edificados.
O barulho é característica do culto pentecostal?
a)O culto pentecostal é racional (Rm 12.2). O culto barulhento, não dá lugar a reflexão e meditação.
b) O culto pentecostal tem ordem (1Co 14.40). Essa ordem não é de um cemitério, como dizia Apóstolo Paulo: os dons são exercidos com o propósito de edificar a igreja e não escandalizá-la.
c) O principal propósito do culto pentecostal é glorificar a Deus e edificar a igreja (1Co 14.26). Um lugar onde o barulho reina, não há lugar para a Palavra de Deus e nem para a edificação do próximo por meio de palavras inteligíveis.
d) Os dons espirituais, quando exercidos segundo as regras estabelecidas pela Palavra de Deus, não causam desordem ou bagunça (1Co 14.29-33);
e) o culto pentecostal é dinâmico, mas há lugar para uma liturgia (1Co 14.26). O culto é feito por homens guiados pelo Espírito de Deus, porém o homem é que oferece o culto, seguindo assim uma ordem(liturgia).
Não podemos negar que a presença do Espírito Santo em nossas vidas abala nossa estrutura corporal. Não posso negar que muitas vezes me exalto quando estou pregando a Palavra do Senhor, entretanto tenho a convicção que Deus não olha a aparência e sim o coração do homem (1 Samuel 16.7)
Deixemos de lado as loucuras dos homens e tentemos compreender a loucura de Deus que é a sua Palavra. (1 Co 1.21) .
Para responder essa pergunta, que por sinal é muito pertinente, lanço outra questão: O barulho é a marca de um cristão pentecostal?
Amigos e leitores, atualmente a marca que evidencia um cristão avivado está no estereótipo da pessoa e não mais na alma e no espírito. Por incrível que pareça, o quanto você mais berra, mais grita, mais se “esperneia”, cai no chão, dança no “espírito” (não sei em qual espírito), mais avivado e pentecostal você é!
A Palavra de Deus é tão clara quanto ao avivamento do Senhor. O avivamento não se caracteriza por aberrações, gritos, milagres, mudanças litúrgicas e etc.... Avivamento é muito mais que isso!
O verdadeiro avivamento é provocado pela Palavra de Deus e resulta na mudança de conduta da pessoa avivada. Tudo em sua vida se faz novo, todas as áreas de sua vida são afetadas e tão logo essa pessoa passa a desenvolver os frutos do Espírito. (Gálatas 5.22-23)
Notemos que os frutos do Espírito Santo são: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. (Observe esses dois últimos frutos). Uma pessoa cheia do Espírito é mansa e possui domínio próprio sobre si, ou seja, não age por impulsos, por emoções, menos ainda por sensações e tem seu temperamento controlado pelo Espírito do Senhor.
Interessante essa “Teologia do Barulho” desenvolvida pelos Neopentecostais. Quem nunca ouviu o famoso jargão: “Pentecostal que não faz barulho está com defeito de fabricação”. Não sei qual a finalidade dessa frase, mas uma coisa é certa: Deus é não surdo!
Deus não é surdo e muito pelo contrário a sua Palavra diz que Ele conhece todos os nossos pensamentos, nossos intentos e nosso coração (Salmos 139), sendo assim não haveria necessidade de “berrar” ao ouvido de Deus, pois o Senhor não procura gritos e sim verdadeiros adoradores que é adorem em Espírito e em Verdade (João 4.24)
Uma coisa é certa essa Teologia do Barulho nada mais é que puro misticismo criado por “cristãos” que não conhecem a Deus e tão pouco a sua Palavra. Chamamos de misticismo o conjunto de normas e práticas que tem por objetivo alcançar uma comunhão direta com Deus. O problema é que quase sempre, os místicos são induzidos a prescindir da Bíblia e se basear apenas em suas experiências.
Efetuando uma exegese do derramamento do Espírito Santo em Atos 2, verifica-se uma ordem e que os sons estavam legíveis ao público em geral. Disse o médico e historiador Lucas: “E correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um ouvia falar na sua própria língua”(AT 2.6)
Lucas destaca que ouve entendimento do que os discípulos de Cristo falavam, por parte dos viajantes que estavam em Jerusalém:”Todos os temos ouvido em nossas própria línguas falar das grandezas de Deus”(v.11). O versículo 13 diz que alguns zombaram do acontecimento, alegando que os discípulos estavam bêbados, isso significa que houve um barulho inelegível?
O versículo 13 indica que alguns não entenderam o agir do Espírito Santo, mas isso não significa um barulho rock-roll, verificado em muitas reuniões pentecostais, que mais se assemelham ao Maracanã em dia de clássico do que um genuíno culto cristão.
Paulo nos alerta em 1 Co 14.23:”Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas estranhas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão, porventura que estais loucos?
Paulo demonstra uma preocupação em todo o capítulo 14, que deve haver uma ordem na línguas e profecias no culto, a fim de que todos sejam edificados.
O barulho é característica do culto pentecostal?
a)O culto pentecostal é racional (Rm 12.2). O culto barulhento, não dá lugar a reflexão e meditação.
b) O culto pentecostal tem ordem (1Co 14.40). Essa ordem não é de um cemitério, como dizia Apóstolo Paulo: os dons são exercidos com o propósito de edificar a igreja e não escandalizá-la.
c) O principal propósito do culto pentecostal é glorificar a Deus e edificar a igreja (1Co 14.26). Um lugar onde o barulho reina, não há lugar para a Palavra de Deus e nem para a edificação do próximo por meio de palavras inteligíveis.
d) Os dons espirituais, quando exercidos segundo as regras estabelecidas pela Palavra de Deus, não causam desordem ou bagunça (1Co 14.29-33);
e) o culto pentecostal é dinâmico, mas há lugar para uma liturgia (1Co 14.26). O culto é feito por homens guiados pelo Espírito de Deus, porém o homem é que oferece o culto, seguindo assim uma ordem(liturgia).
Não podemos negar que a presença do Espírito Santo em nossas vidas abala nossa estrutura corporal. Não posso negar que muitas vezes me exalto quando estou pregando a Palavra do Senhor, entretanto tenho a convicção que Deus não olha a aparência e sim o coração do homem (1 Samuel 16.7)
Deixemos de lado as loucuras dos homens e tentemos compreender a loucura de Deus que é a sua Palavra. (1 Co 1.21) .
domingo, 10 de abril de 2011
O DEUS DO RISO
Como os leitores já sabem, Iniciei neste blog uma série de posts que é voltada para o humor, onde conto casos hilários do meio evangélico. Batizei a série de Comédias da Vida Quase Real, sem nenhuma pretenção de ser ofensivo ou blasfemo ou de constatar científica e biblicamente os fatos ali narrados, ou de fazer uma hermenêutica e uma exegese rigorosa dos “fatos”, e nem tão-pouco passou por minha cabeça a idéia de menospresar as pessoas lá mencionadas de forma ofensiva.
Criei a série somente com a finalidade de contar situações engraçadas e inusitadas, fazendo uma crítica à ingenuidade e excesso de credibilidade do nosso povo.
Durante a elaboração dos argumentos aqui expostos, lembrei-me de um dialógo no fantástico filme O Nome da Rosa de Umberto Eco, quando Guilherme de Barskerville, o monge franciscano detetive é confrontado pelo velho Jorge de Burgos, o monge cego e austero, diante da risada inesperada de um monge copista no scriptorium da biblioteca do mosteiro, aonde estava havendo uma série de assassinatos misteriosos:
Irmão Jorge de Burgos:
- Um monge jamais deve rir! Só os tolos elevam a voz para rir!
- Espero quem minhas palavras não te ofendam, irmão Guilherme, mas é que ouvi pessoas rindo de coisas risíveis e lembrei um dos princípios da regra. Mas vós franciscanos, fazeis parte de uma ordem na qual vêem a alegria com indulgência, mesmo as mais importunas.
Irmão Guilherme de Baskerville:
- É verdade, São Francisco era dado ao riso.
Irmão Jorge:
- O riso é uma brisa demoníaca qque deforma os traços do rosto e faz os homens se parecerem com macacos.
Irmão Guilherme:
- Macacos não riem. O riso é característico dos humanos.
Irmão Jorge:
- Como o pecado! Cristo nunca riu!
Irmão Guilherme:
- Podemos ter assim tanta certeza disso? Nada nas Escrituras diz que ele riu, mas também não diz que não riu. Até os santos usaram da comédia para ridicularizar os inimigos da fé.
Quando pagãos mergulharam são Mauro num calderão de água fervente, ele ironizou reclamando que seu banho estava frio. O sultão colocou a mão na água e se queimou.
Irmão Jorge:
- Um santo imerso em água fervente não faz brincadeiras infantis. Ele reprime os gritos e sofre calado pela verdade.
Irmão Guilherme:
- Ainda assim, Aristóteles dedicou o Segundo livro da “Poética” à comédia como instrumento da verdade.
Irmão Jorge:
- Esse livro jamais existiu! A Providência não deseja que futilidades sejam glorificadas!
E por aí vai… mas esse diálogo do filme faz obrigatoriamente vir à tona o assunto do humor, da alegria e do riso na Bíblia. Faz-se constatar que doutrinas de homens criaram um fosso que dividiu a vida cristão, gerando a nefanda dicotomia agostiniana que separa o santo do sagrado. E infelizmente uma grande fatia do universo evangélico tem essa concepção estóica do bispo velho e cego do filme, uma visão gnóstica de que o cristão deve ser obrigado a viver como um abutre encurvado e sombrio, antipático, austero e sem graça.
Pergunto: Deus, o Criador do Universo, não tem senso de humor arguto e inteligente? E Jesus, o Homem Perfeito, realmente nunca se diivertiu, sorriu ou deu uma boa gargalhada?
Os matadores da alegria gostam de pensar que Deus é Deus irado, carrancudo, sempre mal humorado, que não tolera risadas ou senso de humor. Para esses estraga-prazeres de carteirinha, não se pode ser alegre, leve, descontraído, expontâneo, excluíndo a possibilidade de se usar do humor inteligentemente cáustico para evidenciar alguma crítica ou exortação indireta, e não se pode utilizar até das situações aparentemente trágicas para se abstrair o mais puro e fino humor utilizado para indireta e sutilmente divulgar a Verdade Deus, isso tudo, sem ser ofensivo, grosseiro e não querendo desmerecer a fraqueza alheia, em absoluto.
Esses tais jamais entenderão o significado de termos das Escrituras Sagradas como recrear-se (divertir-se), alegrar-se, regozijar-se, zombar, folgar, comprazer-se, deleitar-se, gozar, e por causa de suas mentes legalistas jamais divisarão certos lances da vida comum pela ótica do humor, antes permanecerão no deserto árido de seu rigor estóico de gente que não é feliz e não deixa os outros o serem.
Ora, Se Deus não tem humor apurado, então o que dizer do Salmo 2, quando diz:
"- O que habita nos céus, ri da aparente superioridade de força dos reis que contra Ele se insurgem. O Senhor se diverte à custa deles".
Se Deus não tem humor apurado o que dizer então de suas intervenções na história humana quando são marcadas, por vezes, com um fino toque de humor - como na história de Sara, que, ao entender-se grávida aos 90 anos, exclama:
"- Deus me fez rir e todos os que o souberem rirão comigo" (Gn 21,6).
Ou o que dizer do humor ácido do profeta Elias, quando desafia os profetas de Baal em 1Reis 18.27?
"Ao meio-dia, Elias zombava deles, dizendo:
− Clamai em altas vozes, porque ele é deus; pode ser que esteja meditando, ou atendendo a necessidades, ou de viagem, ou a dormir e despertará”.
E se Jesus, o Filho de Deus não tem senso de humor, então que tal ler Lucas 13: 21, onde diz:
“Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espirito Santo”.
Se Jesus não tem senso de humor, então por que aceitava freqüenter banquetes e festas de casamento que duravam uma semana de alegria e diversão? Será que ELe, nessas horas ficava lá, no meio da festança, todo casmurro em um canto, com as mãos postas, olhar beatificado fixando o infinito como nos filmes de Hollyhood, portando a auréola característica das pinturas da Renascença? Não. Certamente que Ele se divertia a valer com os convivas nas danças e nas conversas descontraídas que rolavam soltas nessas ocasiões festivas, regadas a muito vinho e comida até dizer chega!
Se Jesus não tem senso de humor, então porque ele contou uma anedota em forma de parábola no meio de uma crítica fulminante direcionada aos fariseus e intérpretes da lei em Lucas capítulo sete:
"- A que, pois, compararei os homens da presente geração, e a que são eles semelhantes? São semelhantes a meninos que, sentados na praça, gritam uns para os outros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não chorastes. Pois veio João Batista, não comendo pão, nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demônio! Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos”.
Ou quando Jesus proferiu uma hipérbole revelando grande exagêro quando disse que era mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céu, não seria isso puro humor tragicômico?
Então me desculpem os reprimidos, os hermeticamente fechados em seus cercadinhos de regras e tabus, mas seguirei os passos de meu Deus e de meu Mestre, vivendo na liberdade consciente de ser eu mesmo, em meio a um mundo que é por si só perdido, desesperado e maligno, mas com a chance de ver a vida positivamente, sob a ótica do humor e temperada com muitas piadas, muitos cartoons e muitas gargalhadas.
Texto de Manoel, extraído de www.genizah.com
sábado, 9 de abril de 2011
Coração de Pedra
Ali é o lugar ideal pra quem quiser se esconder e ser mais um na multidão
Ali é onde os homens se abraçam mas na hora de pagar o preço, lavam as mãos
Ali é onde todos se encontram mas acabam se perdendo
Por achar que são invencíveis
Ali não há lugar pra tristeza, pra angústia, pra dor
Ou pra gemidos inexprimíveis
Deus não habita mais em templos feitos por mãos de homens
Deus não será jamais acorrentado às paredes de uma religião
Deus não habita mais em templos feitos por mãos de homens
Deus não será jamais enclausurado na escuridão de quemainda tem
Um coração de pedra
Ali ninguém conhece a essência, tão somente a
Aparência de viver em comunhão Ali é onde os loucos se entendem, onde os sábios se
Prendem ao valor da tradição
Um falso paraíso presente, um fanatismo distante, um
Cristianismo sem direção
Ali é onde todos proíbem, onde todos permitem, onde
São assim, nem "sim" nem "não"
Que vença, mesmo que haja desavença
Todo aquele que repensa na crença da onipresença de Deus
Sejamos coerentes, transparentes, reluzentes,
Conscientes, todos crentes que somos os filhos seus
Na rua, no trabalho, na escola, na loja, na padaria,
No posto, na rodovia, na congregação
Que haja em nós o mesmo sentimento:
Que deus habite em nosso coração!
João Alexandre
Ali é onde os homens se abraçam mas na hora de pagar o preço, lavam as mãos
Ali é onde todos se encontram mas acabam se perdendo
Por achar que são invencíveis
Ali não há lugar pra tristeza, pra angústia, pra dor
Ou pra gemidos inexprimíveis
Deus não habita mais em templos feitos por mãos de homens
Deus não será jamais acorrentado às paredes de uma religião
Deus não habita mais em templos feitos por mãos de homens
Deus não será jamais enclausurado na escuridão de quemainda tem
Um coração de pedra
Ali ninguém conhece a essência, tão somente a
Aparência de viver em comunhão Ali é onde os loucos se entendem, onde os sábios se
Prendem ao valor da tradição
Um falso paraíso presente, um fanatismo distante, um
Cristianismo sem direção
Ali é onde todos proíbem, onde todos permitem, onde
São assim, nem "sim" nem "não"
Que vença, mesmo que haja desavença
Todo aquele que repensa na crença da onipresença de Deus
Sejamos coerentes, transparentes, reluzentes,
Conscientes, todos crentes que somos os filhos seus
Na rua, no trabalho, na escola, na loja, na padaria,
No posto, na rodovia, na congregação
Que haja em nós o mesmo sentimento:
Que deus habite em nosso coração!
João Alexandre
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Escola em Realengo: Tanto Luto!
Ariovaldo Ramos
Rio de Janeiro, Escola Municipal Tasso da Silveira, jovem, de 23 anos, invade escola, onde estudou, e atira nos alunos, a maioria entre 7 e 14 anos. Mata e fere muitos., até que, atingido por um policial, se suicida.
Quantos matou, quantos feriu? Se fosse apenas uma criança já seria muito, tanto que nenhum número esgotaria. Quantos seres humanos tombam de uma forma ou de outra quando um ser humano é abatido? E quantos, por isso, não terão oportunidade de existir?
Começam as perguntas sobre o porquê. Como um ser humano faz algo assim? E corre-se atrás das explicações.
Como um ser humano pode ser capaz de tal atrocidade? É a pergunta que ecoa. Como? Ouço e me pergunto: do que estamos a falar?
Só os seres humanos fazem isso com a sua própria espécie: franco-atiradores; homens-bomba; Treblinka; Auschiwitz; Guantanamo; Sistema Presidenciario Brasileiro; Carandiru; Torres Gêmeas; Revolução Cultural Chinesa; Política Stalinista; Hiroshima; Nagasaki; Ruanda; Serra Leoa; Kosovo; Incêndio de Ônibus com passageiros ou Fuzilamento de Seres Humanos colocados dentro de um ônibus! E mais quantas guerras e atrocidades poderiam ser enumeradas? Só seres humanos fazem isso!
Só os seres humanos se sentem seguros, apenas, quando podem matar o próximo. Só os seres humanos chamam a isso de paz.
Quantas doenças ou religiões ou ismos teremos de evocar para dar sentido às barbáries humanas?
O que há por detrás de tanta barbárie? Nós: Seres humanos. Nós!
Ao chorar por essas crianças, choramos também por nós, por todos nós indistintamente. Precisamos perceber que nosso grande desafio somos nós mesmos. Perceber que há maldade em nós. Precisamos cuidar melhor de nós. Precisamos de zelo pela dignidade humana; de acesso a saúde em todos os sentidos, desde sempre: de uma escola onde um garoto estranhamente diferente possa ser ajudado enquanto é tempo.
Precisamos que todo o esforço não seja para, meramente, melhorarmos na vida, mas, para que a vida melhore em nós.
O que me consola é saber que Deus, segundo Jesus de Nazaré, está lutando por nós, o gênero humano. Que tanto luto não mate a esperança.
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